domingo, junho 23, 2013

Desdém

E sempre machuca, sempre. Mesmo quando deveria fazer sorrir.

Deveria ser paciente, e ouvir meus lamentos, mas não dava. Não tinha tempo. Sempre tinha algo mais importante e inadiável para fazer. Deveria enxugar meu prantos, mas na maioria das vezes fazia com que cada vez mais eles aumentassem. Discussões desnecessárias, ironias que sempre causavam dor. Deveria deixar-me só quando eu precisava, mas não dava. Para quem ela ia contar seus feitos do dia? Quem era a única tola que sempre estaria ali para ouvi-la? Que nunca ia fugir pelo simples fato de possuir um amor incondicional que ultrapassava a amizade e que por ser tão intenso, não tinha como se desfazer.

É claro que queria se livrar disso. Se libertar. É claro que queria desfazer esse laço e seguir em frente, mas não conseguia. Talvez nem quisesse tentar. Mas um dia, ah, um dia, os nós serão desatados, e o desdém que sofreu por tanto tempo lhe servirá para encorajá-la e ela poderá seguir em frente. Sem arrependimentos. Sem prantos e sem lamuriar aquilo que sempre acreditou ter, mas que nunca foi seu. 

Foto: We heart it

sábado, junho 08, 2013

Aquém



Tenho andado tão cansada. Cansa da falta de reciprocidade. Da falta de verdade. Quisera eu que o cansaço fosse físico e não mental. Quer dizer, imagina o quão bom seria curar as mágoas com uma vitaminazinha? E que quando a dor viesse pudéssemos tomar um comprimido, descansar e ao despertar estar novinho em folha, sem ressentimentos? E não acho que venho pedindo muito, sabe? Receber um sorriso em troca de outro não é nada de outro mundo. Mas de nada adianta, já tentei uma duas, três, oito vezes mudar o que nela me incomodava, e de nada adiantou. Talvez o problema seja comigo. Talvez eu deva seguir em frente. Talvez eu deva dar um fim nisso. Ou talvez mesmo só precise uma xícara de café e uma boa noite de sono.